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Como gravar um bom depoimento no seu próprio celular

· 6min de leitura · pela equipa ciaopost

Cinco coisas, e o telefone no seu bolso faz o resto:

  1. Fique a um braço de distância — o som importa mais que a imagem, e não há conserto para isso a não ser a distância.
  2. Desligue a máquina mais barulhenta do ambiente. O secador, o moedor, o exaustor.
  3. Ponha a janela atrás de você, nunca atrás do cliente, ou você fica com uma silhueta.
  4. Segure na vertical, com as duas mãos, cotovelos junto ao corpo. Instagram, TikTok e Shorts são verticais.
  5. Faça sua pergunta e fique quieto. Não dirija, não sugira, não grave uma segunda vez.

Nada no equipamento é problema seu — esse telefone é uma câmera melhor do que qualquer coisa que um negócio local tinha dez anos atrás. Tudo o que estraga um depoimento acontece nos trinta segundos depois que você aperta gravar, e a maior parte sai da sua própria boca. A regra cinco é a que realmente importa; as outras quatro são só arrumação.

O som primeiro: fique a um braço de distância

Os microfones de telefone são bons, mas não são seletivos. Eles captam o secador, o moedor de café, o exaustor e o rádio com mais ou menos o mesmo entusiasmo com que captam o seu cliente.

Não existe conserto de equipamento para isso na sua escala, e você não precisa de um. Existe um conserto de distância.

  • Fique a um braço de distância de quem está falando. Cada passo mais perto te dá mais voz e menos ambiente.
  • Desligue a única coisa barulhenta. O moedor, o secador, o exaustor. Leva quatro segundos e é a diferença entre aproveitável e não.
  • Aponte a base do telefone para a pessoa, mais ou menos. É ali que fica o microfone na maioria dos aparelhos, e é a ponta que as pessoas costumam tapar com a mão.
  • Não coloque o cliente ao lado da porta. A rua é mais barulhenta do que você imagina, e o telefone concorda.

Uma voz gravada de perto, num ambiente um pouco feio, vence uma imagem linda em que o cliente parece estar falando de dentro de um armário.

A luz vem da janela, e ela fica atrás de você

Uma regra cobre noventa por cento disso: ponha a luz atrás da câmera, não atrás do cliente.

Fique de costas para a janela, para que a luz do dia caia no rosto dele — ou sobre o trabalho, se você estiver filmando o resultado. Se a janela estiver atrás dele, o telefone vai expor para a janela clara e transformar seu cliente numa silhueta. Todo mundo já fez isso. Parece uma entrevista de proteção a testemunhas.

Não use o flash. Ele achata a pele, mata a cor do cabelo ou da comida que você está tentando mostrar, e anuncia que aquilo é uma produção. A luz do dia é de graça, já está no ambiente, e faz tudo parecer como de fato é.

Se o salão é escuro e a janela fica longe, mude de lugar. Dois passos costumam ser o conserto inteiro.

Segure na vertical, e segure firme

Vertical, sempre. Não porque a vertical seja esteticamente superior, mas porque Instagram, TikTok e YouTube Shorts são verticais, e um clipe horizontal chega lá com barras cinzas nas laterais ou com o topo das cabeças cortado.

Depois, mantenha firme. As duas mãos, cotovelos contra as costelas, e pare de se mexer. Você não está dirigindo um filme; não há enquadramento a procurar. Enquadre, trave, deixe assim. Uma imagem estática de uma pessoa falando está perfeitamente bem. Um zoom lento derivando em direção ao queixo dela, não.

Se você está gravando o resultado em vez do rosto — a cor vista por trás, o prato, o painel acabado — coloque tudo no enquadramento e mantenha ali. Não fique passeando ao redor procurando um ângulo melhor enquanto seu cliente está no meio da frase.

Não diga a eles o que falar

Esta é a regra mais difícil da página e a única que de fato importa.

Você vai sentir a tentação. O cliente está falando, está sendo vago, não mencionou a coisa que você mais queria ouvir, e você sabe exatamente qual frase seria perfeita. Então você ajuda. “E você nos recomendaria, né?” “Que tal dizer que a cor ficou ótima?”

No momento em que você faz isso, deixou de coletar um depoimento e começou a produzir um anúncio com um ator amador. E soa exatamente assim. Todo mundo percebe uma pessoa recitando a fala de outra — a falta de emoção, a ênfase um pouco errada, o jeito como ela olha para você no meio da frase em busca de aprovação.

Se o cliente travar, não lhe dê a fala pronta. Faça uma pergunta.

Não digaPergunte
”Diga que a cor ficou ótima""O que você veio fazer aqui hoje?"
"Diga que nos recomendaria""O que você contaria para um amigo sobre isso?"
"Comente como fomos rápidos""Com o que você estava preocupado antes de vir?”

Uma pergunta te dá a resposta dela. Uma sugestão te devolve as suas próprias palavras na boca de um estranho, o que não vale nada para ninguém.

Deixe os erros no vídeo

O cliente vai se atrapalhar. Vai começar uma frase, abandoná-la, rir de si mesmo e recomeçar. Vai ter um “ãhn”. Vai ter uma pausa em que ele olha para o teto.

Não corte nada disso.

Essas imperfeições não são um defeito na gravação. São a credibilidade da gravação. São o motivo pelo qual um estranho que passa rolando a tela acredita que aquela é uma pessoa de verdade, que realmente frequenta o seu salão, e não um amigo do dono fazendo um favor. O acabamento remove justamente aquilo que estava convencendo as pessoas.

Isto é um princípio, não uma preferência, e é um dos que orientaram a construção do produto: as palavras do cliente são publicadas na íntegra. Sem arrumar, sem encurtar, sem melhorar — nem no vídeo, nem nas legendas, nem na citação embaixo. O software pode escrever a legenda, porque a legenda é nossa. Ele nunca reescreve o que uma pessoa disse, porque isso é dela.

Um depoimento que se lê melhor do que o cliente fala não é um depoimento melhor. É um depoimento falso, e será recebido como tal.

O checklist de trinta segundos

Antes de apertar gravar:

  • Desligue a máquina mais barulhenta do ambiente.
  • Ponha a janela atrás de você.
  • Fique a um braço de distância.
  • Telefone na vertical, duas mãos, cotovelos junto ao corpo.
  • Enquadre a pessoa, ou enquadre o trabalho. Decida antes, não durante.

Depois de apertar gravar:

  • Faça a pergunta.
  • Fique quieto.
  • Deixe o cliente terminar, inclusive a parte em que ele acha que já terminou e então acrescenta mais uma coisa. Essa última parte costuma ser a melhor frase de toda a gravação.

Depois pare. Não grave uma segunda vez porque a primeira ficou “um pouco bagunçada”. A bagunçada é a que funciona.

Agora que você sabe gravar direito, a pergunta que vale a pena resolver é se deve pedir áudio ou vídeo logo de partida.

Experimenta com o teu próximo cliente.
Uma pergunta, sessenta segundos, publicado.
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